Pedro Pestana Bastos a 2 de Maio de 2012 às 20:45
Amigo Filipe,
Tivessemos nós um empresário do sector da grande distribuição que, ateu e anticlerical, decidisse abrir das suas lojas na vespera de Natal entre 20 horas de dia 24 e as 12 horas de dia 25 de Dezembro, com 50% de desconto e as reacções à direita seriam outras.
Quanto às iniciativa não me digas que também acreditas que foi o mercado a funcionar ...
Não tenho nada as promoções do Sr. Soares dos Santos, lamento é que num momento delicado como o que estamos a viver escolha o 1º de Maio para medir força com os sindicalistas e o PCP.
Caro Pedro,
Não acredito que a esquerda moderna se indignasse com o exemplo que referes.
Não é certo que a iluminação de Natal foi toda trocada por símbolos do consumismo? E o Daniel Oliveira não verteu uma lágrima.
É essa cambalhota a que me refiro e que, no fundo, me diverte.
Faz algum sentido a esquerda ideológica indignar-se com a iniciativa, porque ela é ideológica?! É mais ou menos como um cristão criticar a Igreja Universal do Reino de Deus porque tem um carácter religioso...
Haja paciência.
Filipe
No momento delicado que vivemos é arriscado experimentalismos.
Zé Maria Brito, sj a 2 de Maio de 2012 às 20:51
Meu Caro Filipe,
e eu que não esperava que um dia me pudesse sentir chamado de fariseu por alguém que prezo tanto...
mas, sinceramente, uma campanha que despertou instintos tão básicos e que me parece usar a fragilidade económica para promover uma marca não me parece que seja fazer o bem... e isto mesmo descontando que o facto do PD não ser uma IPSS!
Meu caro Zé Maria,
Que tu e muitos outros não achem bem esta acção promocional, eu compreendo. O facto de serem polémicas e ambíguas é também a chave do seu sucesso.
Eu não falei da campanha. Nem a adjectivei como boa ou má. Apenas me impressionou as cambalhotas que ela suscitou.
Não compreendo quem anda sempre a dizer que os capitalistas só perseguem o lucro e depois não consiga alegrar-se com uma iniciativa destas. É isso que me deteve. Cada um escolhe a perspectiva que mais o impressiona.
Um abraço
Anónimo a 2 de Maio de 2012 às 21:02
Quando isto começar a ser 100% de desconto é que eu quero ver como é...
E olhem que já faltou mais...
Von Alldösser
João. a 2 de Maio de 2012 às 21:09
Estou de acordo com a tese fundamental deste post - que a Jerónimo Martins teve uma acção ideológica, quer dizer, política. Para tanto usou as suas melhores armas - uma promoção com baixas de 50% dos preços e a necessidade da sua mão-de-obra obedecer ao Capital - isto enquanto o Capital ao mesmo tempo defende a liberdade. É a maravilha de poder jogar com as brancas e as pretas.
Fátima a 2 de Maio de 2012 às 22:13
Cá por mim não critico o facto do senhor em causa ou qualquer outra pessoa ter uma acção ideológica. Como se fosse possível a existência de virgens a este nível. O que eu critico é essa ideologia, porque tenho outra oposta.
Essa das promoções a 100%....bom, um homem não é de ferro, certo?
Isso já me faz algum sentido. Que ideologia, já agora?
Desde que cumprem as regras e joguem com o dinheiro deles está tudo bem.
Sinceramente gosto do Sr. Soares Santos e achei-o injustiçado, não precisava desta polémica.
Mário Abrantes a 2 de Maio de 2012 às 22:59
O Pingo Doce faz o que pode fazer e, aparentemente, pode fazer tudo o que lhe apetecer, inclusivamente proporcionar condições que qualquer miúdo de 18 anos percebe podem gerar conflitualidade e confrontação. As pessoas são destratadas como nada em nome da propaganda.
semiramis a 3 de Maio de 2012 às 04:38
As pessoas deixam-se "destratar". Aliás, a incivilidade é notória no português desde o 25/4. Deixaram de existir há muito valores morais, tais como bom senso, boas maneiras, educação, honra, dignidade, etc... pelo que num cenário de "crise" (em que muita gente AINDA pode disponibilizar umas centenas de euros para armazenar comida e bebida) mais notório é a falta destes princípios básicos, o que de certo modo nos deveria preocupar a todos. Não a eventual propaganda ou medição de forças com os sindicatos mas, sim até que ponto a bovinidade passiva do português extravasa quando se lhe toca na comida ou na bola.
Estiveste em casa a descansar???? Muitos dos funcionários não!!! E muitos deles sem culpa nenhuma da estupidez humana, levaram porrada por faltar produtos! E o facto de ter sido no 1º de Maio, apenas foi com o intuito de provocar os sindicatos... e sei por fonte limpa do que digo é a verdade! Mas continua a pensar que no Pingo Doce é que se tem boas ideias... ao passo que o comércio tradicional, aquele que de facto vende produtos portugueses, continua a morrer!!!
semiramis a 3 de Maio de 2012 às 04:49
Que se saiba os trabalhadores (ainda que compreensivelmente exaustos pelo dia complicado) irão receber o seu salário + extra por trabalharem num dia feriado, ou não?
Por outro lado, não reparou que os demais hípers, os do Tio Belmiro ou Lidl também estiveram abertos?
Quanto ao comércio local, apenas pergunto: Será que não estiveram nas filas do P.D. a comprarem produtos com 50% de desconto, para posteriormente venderem nas suas lojas a preços correntes? Não é por nada, mas parece-me que a chico-espertice não é exclusiva dos políticos, banqueiros ou corporações, ela também está presente nas hostes do povo.
José ernesto a 3 de Maio de 2012 às 07:01
Como sempre pensei e vi a mentalidade do nosso povo durante todos estes anos,desde o 25 de 74 e logo no apoio nas lutas da marinha mercante,assim se concretiza aquilo que sempre disse,o povo português não passa de uma cambada de PRETUGUESES,somos e pensamos de maneira abaixo dos negros,afinal fomos nós que os treinámos durante séculos e dizemos que eles são racistas?Não,nós é que somos uma raça que só se sente feliz com a desgraça do vizinho,invejosos,mal dizentes,sempre a pensar na maneira de como rir às custas dos outros.Infelizmente,esta promoção do pingo doce serviu para mostrar que parte d
os portugueses são uns coitadinhos,andam sempre a lamentar a própria pobreza,afinal onde está a miséria apregoada?Andam pelas ruas em manifestações apoiando as centrais sindicais para quê?Onde está a dignidade?Querem aquilo que tiveram a seguir ao 25?Dêem a cara e o corpo e vão à luta,não se acobardem e fiquem atráz das janelas a ver os outros levar porrada,mostrem que somos um povo com dignidade e não uns miseráveis pedintes da europa,salvo raras excepções.
Miguel C. a 3 de Maio de 2012 às 11:08
Não me parece que esta acção tenha algo de ideológico... diria antes que é pura estratégia de marketing! E muito bem pensada, por sinal. Em vez de gastar uma fortuna em campanhas televisivas, ou outras, com impacto/retorno duvidoso (veja-se a polémica acerca das taxas de audiência televisiva), decidiu aplicar essas verbas em descontos...! Parece-vos mal??? Pois a mim parece-me bem...! Há muita gente, operários e não só, a ter que lidar com necessidades extremas nesta altura, e este investimento faz muito mais sentido do que "jogar €'s " em outdoors, tv's , muppis e etc. O "pagamento" da campanha foi entregue a quem mais dele precisa. E o dinheiro empregue, não saiu dos cofres da empresa? É bem pior quando se utilizam capitais públicos, em acções de menor impacto, no apoio social.
Relativamente à data, foi no 1º dia do mês, dia feriado e também pode ser interpretado como um "agrado" aos trabalhadores, é a perspectiva do copo meio cheio/meio vazio, depende da interpretação que se queira dar. Os funcionários da estrutura tiveram de trabalhar??? óptimo, com uma taxa de desemprego tão alta é bom que exista quem tenha muito que fazer, aliás, os funcionários do pingo doce representam uma pequena parcela dos que tiveram que trabalhar no feriado, e vão receber tudo a que tem direito. Já agora, nunca vi os sindicatos, partidos de esquerda ou jornalistas/comentadores a vir defender os restantes!
Julgam existir idealismo na acção, eu não acho mas, e se existir??? Ainda assim serviu bem melhor os operários, e os mais desfavorecidos, do que estes sindicatos que tem a obrigação de o fazer.
Mas neste país é assim, "é preso por ter cão e é preso por não ter...", já é costume. Não me surpreendem tanto os políticos, ou os comentadores da politica, mas os jornalistas... não me parece que tenham intenção de informar, comparo-os mais com as "comadres", nos meios pequenos, que tem mais interesse em quadrilhar ", criar problemas onde não existem ou alimentar/empolar os existentes! O conflito é que vende, quando não houver, inventa-se! É uma vergonha, felizmente ainda há excepções.